segunda-feira, 26 de maio de 2008

Sem despedida...

Eu não de despedi de ninguém. Poderia ter feito isso direitinho como manda o figurino.
Sem querer me justificar, a minha volta já estava prevista mas não tinha data definida. Aconteceram algumas coisas que não posso revelar agora que me incentivaram a voltar antes do previsto. Assim sendo fechei minhas malas na véspera do embarque e não pude me despedir de ninguém.
Em termos de etiqueta faltei com você e com todos.
Por outro lado me poupei de sofrer, de chorar, de me desmanchar. Por que isso iria acontecer. Seria difícil me conter.
Saí do Japão como se em breve voltasse para dizer "oi! tô aqui de novo!" para as pessoas que me são queridas.
O importante é que cada uma delas mora no meu coração e que em breve vamos nos ver.
Me desculpe se não disse sequer um tchau e um "obrigadíssima".

domingo, 4 de maio de 2008

Sensação de perda...


Não está sendo fácil encarar que estou indo embora. Por outro lado, a Jornada Centenária, está amenizando essa dor da partida. O Mahoe me deu este presente! Se não fosse isso, acho que estaria chorando o tempo todo. Cada amiga e cada amigo que vem falar comigo me desmorona. Choro, sem vergonha mesmo! Como num filme vejo imagens passando pela minha cabeça, numa velocidade permitida somente aos pensamentos. Não são somente os quase 18 anos de Japão, essa quantidade, mas a qualidade dos relacionamentos que fiz por aqui. Sem falar nas manifestações de carinho que tenho recebido todos os dias. São palavras meigas, doces, motivadoras e cheias de gratidão que me emocionam. E elas vêm de pessoas que não esperava...
Inclusive, por parte da empresa onde trabalhei. A equipe da Alternativa me preparou um jantar de despedida, com presentes e mais presentes, que me emocionei e não encontrei as palavras certas para me expressar. O que posso afirmar é um clichê, mas tão verdadeiro: "como é bom ter amigos"! Eles são meus tesouros e vou levar para o resto desta vida e, quem sabe, de outras.

O que é acompanhar uma aventura


Fui convidada pelo Mahoe a acompanhar a Jornada Centenária, exatamente há 2 meses da partida. Em 27 de fevereiro o curso do meu destino mudou pois aceitei acompanhá-lo como membro do suporte por terra. Nessa época Mahoe contava comigo e com um amigo japonês, o Takahashi. Iríamos fazer o trecho japonês em 3 pessoas e, o restante das dezenas de países, com outros companheiros. Mas, com o Captain Takano integrando a equipe houve mudanças nas rotas e na equipe. A Jornada Centenária passou a ser um projeto seguro, dividido em etapas e, nessa primeira, ficou combinado de fazer o Japão e o Brasil, os dois países que têm tudo a ver com o Centenário da Imigração. Mahoe me surpreendeu com a capacidade de aceitar as mudanças rapidamente. Eu também acompanhei tudo.
Os dias foram se aproximando e eu estava também empacotando minha mudança para o Brasil, simultâneamente.
Com o tempo, durante as conversas com o Captain Takano, através de reuniões pelo Skype, captei rapidamente o perfil dele. O Mahoe, mais transparente, mais exposto, foi mais fácil compreendê-lo.
Além de nós três, não tinha a menor idéia de quem era quem na equipe. Alguns deles, só conheci na véspera da largada. É claro, achei todos simpáticos, a primeira vista. O que me tranquilizou muito é que a enfermeira da equipe, Anzai, é uma pessoa muito doce. Mas estava preocupada com a equipe mista - brasileiros e japoneses, com culturas diferentes.
E, como pensava, houve divergências de opinião entre brasileiros e japoneses, nada que não pudesse ser contornado. Não chegou a ser um problema, mas me sentia o recheio do sanduíche, como sempre digo. Uma fatia de pão japonesa, recheio e outra fatia de pão brasileira. Aí ficava no meio das diferenças culturais... Confesso que não gosto dessa situação.
A maior preocupação está sempre na segurança de quem está realizando a aventura. Nesse caso, Mahoe e Takano. Graças a tecnologia, essa preocupação foi reduzida com os aparelhos de rádio amador, telefone celular com alcance em alto-mar e um mapa de navegação com GPS. Fantástico!
Outro fator de relevante importância foi a motivação dos dois. Sempre sorrindo, sempre prá cima, mesmo com todas as dores no corpo e com o cansaço natural, eles não deixavam transparecer nada nem faziam desabafos inoportunos. E eu, mesmo sabendo que Mahoe estava cansado no segundo dia, jamais faria um comentário para tocar nesse assunto. Acredito que isso dá brecha pro baixo astral. E isso era algo que quis evitar.
O que motiva a acompanhar uma aventura como essa é a performance dos participantes. Eles mostram espetáculos para nós da terra, do apoio. Aí eu ficava animada e curtia a aventura junto, sempre anotando tudo o que fosse possível.
Além de fotografar e escrever, eu fazia o que podia, com prazer.
Isso mesmo: prazer. É um ingrediente importantíssimo para uma aventura que não é sua - é de um amigo, de dois amigos.
No trabalho em equipe, confesso, não tive problemas, a não ser quando vieram me dizer que, de novo, o hotel não tinha conexão para internet. Quase tive um ataque de nervos!!!!!! Aghrrrr
Na minha cabeça é quase que inadmissível não ter ambiente de internet num país como o Japão, onde a banda larga é popular. Pois é, e encontrei lugar que não tem....
Fiquei irada.
Como tenho um blog chamado "na cola do mahoe", ficava com isso me martelando a cabeça. "Como vou fazer a atualização do blog?", era só que me vinha a cabeça. "Não posso deixar os leitores na mão", assim pensava o tempo todo.
Trabalhar e interagir com uns japoneses cabeça como Takeya e Iwamori foi muitíssimo bom. Eles são homens do mar, desencanados mas focados na responsabilidade das atribuições, autênticos, com a auto-estima bem resolvida e, por isso mesmo, lindos! Fiquei apaixonada por esses dois!!!! Conviver quatro dias com eles resultou numa grande lição de companheirismo e liderança, pois Takeya era o líder do grupo. Esse homem tem uma vivência tão rica que adquiriu uma compreensão humana tão grandiosa! Para realizar um trabalho em equipe é preciso compreender e aceitar cada um da equipe, pois isso também é recíproco. E, no meu caso, em particular, preciso respeitar o líder, preciso confiar nele. Foi o que aconteceu em relação ao líder da equipe. Ainda bem!
Tirando o meu mau-humor em relação a internet, acompanhar a aventura foi uma experiência maravilhosa. Só tenho palavras de gratidão ao Mahoe por ter me convidado! Encaro isso como um ensaio para o que vamos vivenciar no Brasil e, quem sabe, nos demais roteiros.
Estou motivada e espero poder continuar assim pois conviver com o Mahoe é light. Sem estresse. Acho que vamos continuar nos dando bem como companheiros de viagem, sim!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Romântico silêncio


No corre-corre da mundança, empacotei as minhas coisas, já despachei e agora estou na fase de arrumar as malas e acertar os últimos detalhes, como desfazer dos condimentos que sempre sobram. Como já me desfiz dos móveis fui obrigada a retirar as luminárias da sala e do quarto enquanto tinha uma cadeira para eu subir nela no lugar de uma escada. A cozinha, o banheiro, a banheira, o closet e o corredor têm lâmpadas do próprio imóvel. Então, agora a noite somente esses locais têm iluminação. Estou aqui no escuro da sala, sentada sobre uma almofada, com o chão limpo de e as poucas luzes que tenho são de 3 velas. Parece mentira que eu tinha um apartamento bem-montado e aconchegante.
A partir de hoje tenho apenas malas no closet. Sem o aparelho de som mas não querendo ouvir música no meu note, sem ruídos, no espaço vazio a sensação de frio é estranha.
O que me conforta e aquece são as luzes de 3 velas que ia jogar fora.
Ainda bem que não fiz isso.
Elas me fazem lembrar quando era bem pequena -devia ter uns 3 anos. Onde morávamos não havia energia elétrica. Toda noite a casa era iluminada por luzes de lamparinas e lampiões. Que saudade! Nem por isso era menos feliz. Só fui conhecer lâmpada elétrica aos 5 anos.
Agora, com essas luzes relaxantes de velas estou curtindo meus últimos momentos de Japão!

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Surpresa!


Hoje tive mais um dia de emoção.
Fui convidada pela AIEC a fazer uma palestra para os estudantes de Administração da unidade de Nagoya. Para minha surpresa a sala estava cheia. Outra surpresa: estavam presentes as duas mais recentes bacharéis da 1a. turma de formandos, no mês passado. Angela, a presidente da comissão veio me agradecer pela matéria publicada na Alternativa. A matéria só ficou boa por que o conteúdo era bom, foi maravilhoso. Foi uma festa carregada de emoção!
Pois bem. Fiz a palestra com o tema 20 anos de dekasseguismo. Expliquei por que estava vestida com a camiseta da Jornada Centenária e a reação foi ótima. Todos entenderam a mudança de rota e o enriquecimento da equipe.
Depois contei dos meus olhares sobre a comunidade, os fatos que vivenciei e da evolução dela.
Enfatizei a solidariedade, os encontros e o trabalho com o coração.
Alguns fizeram perguntas e o clima foi de relax.
No final me perguntaram sobre a profissão - o que é coach. Uma das alunas veio me contar que tem um irmão terminando um mestrado na Inglaterra. Veja só. Eu disse que havia boas universidades nos EUA, Inglaterra e Austrália. Ela só confirmou!
A Angela veio me entregar flores! Gente, não esperava isso. Fiquei tão feliz!!!!
Um rapaz veio me cumprimentar e me emocionou. Disse que trabalha em fábrica e que foi tão bom ter me ouvido, falando com o coração. "Eu precisa ouvir isso", me disse sinceramente com um aperto de mão bem forte.
Outros alunos vieram me dar um abraço, uma aluna de jiu-jitsu veio me agradecer pela matéria "quimono cor-de-rosa", tirei fotos como se fosse uma celebridade. Foi um dia tão rico pois ganhei tanta energia daquele povo tão dedicado e esforçado que ergo as mãos para os céus em agradecimento por ter passado uma tarde tão especial!
Obrigada a todos vocês que contribuíram para um tantinho de crescimento!
Obrigada pelo carinho e pelas gentilezas!!!!

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Almoço elegante

A professora e dona do IMEC-Instituo Educacional de Medicina Chinesa me convidou para participar de um almoço. Ela queria compartilhar de sua alegria em poupar grão em grão, com moedas de 500 ienes depositadas num pet bottle de 2 litros. O quanto rendeu em 5 anos, dê uma lida na matéria publicada na Alternativa, OK?
Ela convidou outras pessoas também e nos levou num restaurante francês, chique, estiloso e com uma comida maravilhosa!
Eu gostei de tudo, desde a entrada. Foram servidas torradinhas com um presunto divino. Depois veio um consomé com repolho da primavera. Huuuummm... Só de me lembrar dá água na boca.
Em seguida, nos trouxeram uma salada com 15 tipos de verdura e legumes com acompanhamento de um quiche de bacon, leve e riquíssimo de sabor e textura. No molho para a salada continha vinagre de cherry. Pode? Chiquésimo e saborosíssimo!!!!
O prato principal foi um cozido de pedaços de carneiro com verduras. Muito rico também.
De sobremesa, Maria e eu pedimos um gratinado de frutas vermelhas. Nunca havia comido uma sobremesa tão gostosa e elegante.
Enfim, o almoço foi gostoso por dois motivos: boa companhia em boa mesa.
Como é bom comer bem e como é gostoso ter bons amigos.
Minha gratidão a Maria por essa tarde maravilhosa!!!!

sábado, 5 de abril de 2008

Por que tanto apego

Ansiosa, sou uma das que colabora para aumentar o faturamento da JT. Estou fumando mais...
Sei que em breve essa coisa que chega a me dar taquicardia vai-se embora mas, por enquanto, tenho que me aguentar assim.
Hoje a minha amiga Pat que comprou boa parte dos meus móveis mandou vir apanhar quase tudo. Ainda ficou faltando o ar condicionado. Aí, abriu-se um espaço enorme, todo empoeirado. Já passei aspirador de pó e um pano úmido.
Agora estou me sentindo mais aliviada.
Faltam poucou móveis para sair daqui e ainda tem um monte de coisas que vai pro lixo.
E me flagro fazendo continhas toda hora.
"Se isso custa xx ienes, compensaria levar para o Brasil?", fico me perguntando. Afinal, 0,25m3 custa 30 mil ienes. E eu já tenho mais de 1 m3 para enviar. Só de livros deu 1 caixa - algo em torno de 320 livros. Imagine...
Pra diminuir o volume da mudança tirei as capas de todos os CDs e passei para os álbuns. Não tenho tanto quanto um DJ mas estou impressionada com a quantidade de livros e CDs. Com certeza, a companhia de mudança vai sofrer!
Agora, confesso, estou reavaliando o que vou levar. Tanta roupa, tanto calçado, tanta bolsa... Só isso já deu 0.5m3. Pode?
Pra que tanto?
Tem uma autora americana de Feng Shui que diz: tenha o suficiente para usar e lavar no mesmo dia. Assim, com poucas roupas e calçados dá pra passar muito bem. Ela tem toda razão. Mas eu tenho mania por vestuário e calçados. Lógico, as bolsas também.
Será que ainda vou conseguir fazer como essa fengshuista?
Esta é uma grande oportunidade. Quero tentar!!!!
Depois te conto se consegui.